Franquias mantêm fôlego para crescer

Estado de Minas – 10/08 – Paulo Henrique Lobato

O Produto Interno Bruto do franchísing está em desaceleração desde 2011, mas ainda assim o indicador se mantém na casa dos dois dígitos e supera e muito – o percentual de aumento do PIB nacional. Para este ano os avanços devem ser de 10% e 0,9%, respectivamente, segundo projeção de especialistas, que indicam alguns motivos para o crescimento: a expansão recente da renda e do crédito no país e a opção de trabalhadores que perdem o emprego por investir na franquia como negócio próprio. Em 2013, o setor movimentou R$ 115,6 bilhões, cifra 265% maior do que a apurada 10 anos antes – o volume em 2004 foi de R$ 31,6 bilhões. No mesmo período, o número de unidades franqueadas saltou de 59.028 para 114.409-alta de 94%.

Minas Gerais é o terceiro estado com maior participação no bolo de unidades franqueadas, com 8% do total, atrás de São Paulo (37,7%) e do Rio de Janeiro (11,5%). As irmãs e sócias Cynthia França e Thyssiana Massahud fazem parte da estatística. Elas abriram um quiosque da Espetinhos Mimi na área de um shopping da Região Noroeste de Belo Horizonte. A dupla acredita que irá recuperar o investimento, de R$ 300 mil, antes do primeiro aniversário do empreendimento.

“Fizemos uma pesquisa ampla até decidirmos pela marca, que é conhecida em todo o país. Ela está presente em grandes eventos, como na Fórmula 1, no Rock in Rio, na Copa do Mundo. As vendas crescem, em média, 30% ao mês. Já estamos pensando em abrir uma segunda unidade na capital”, planeja Cynthia, que serve aos clientes espetos de frango, linguiça, picanha, queijo, medalhão, entre outros. A Espetinhos Mimi, com sede em São Paulo, conta com 74 unidades em funcionamento ou em fase de implantação.

A empresa trabalha com sete modalidades de negócios: carrocinhas (investimento de pelo menos R$ 30 mil), consultoria de eventos (aporte inicial de R$ 20 mil), quiosque (R$ 120 mil), loja-empório (R$ 250 mil), loja express (R$ 260 mil), restaurante/grill (R$ 300 mil) e containers destinados a postos de combustível (R$ 140 mil).

A administradora Adriana Caixeta também apostou na franquia para melhorar a renda Ela deixou o emprego numa agência de recrutamento de executivos para se tornar empresária do ramo de depilação. Há um mês, diante de investimento de R$ 350 mil, ela abriu numa galeria na Savassi, a 50ª franquia da Pello Menos. “Sempre quis ter o meu próprio negócio. O retorno deve ocorrer em dois anos”, acredita Adriana, que empregou nove pessoas. Muitas franqueadoras, aliás, fornecem treinamento on-line aos colaboradores. É o que ocorre com a Pello Menos, cuja sede fica no Rio de Janeiro.

“O treinamento on-line é um serviço implantado há pouco tempo para que agregue não somente aos interessados em obter a franquia, mas também para os funcionários que trabalharão nelas. A partir de agora, não será necessário o deslocamento até o Rio de Janeiro, distanciando o profissional da família. Entendemos que teremos uma otimização do tempo bem favorável ao desempenho das nossas unidades fora do Rio”, disse Regina Jordão, diretora da empresa.

Balanço

O franchísing brasileiro ocupa a terceira colocação no ranking do World Franchise Council, em número de marcas, atrás apenas da China e Coréia do Sul. “Em 2013, superamos pela primeira vez os Estados Unidos em número de marcas”, afirma Ricardo Camargo, diretor executivo da Associação Brasileira de Franchísing (ABF).

Das marcas em operação no Brasil, 92,4% são genuinamente brasileiras, sendo que, deste total 4,8% (121 marcas) operam também no exterior. Ao todo, de acordo com o levantamento da ABF, o número de redes em operação no país é de 2.703-aumento de ll,4%em relação a 2012. Só em 2013,277 novas franquias surgiram no mercado.