Franchising aposta na interiorização para manter crescimento no País

Roberta Mello – Jornal do Comercio (RS) – 01/11
Com certeza você já adquiriu algum produto, fez uma refeição ou utilizou o serviço de alguma empresa franqueada. Presentes em todas as grandes cidades do País e em expansão no interior, o segmento de franchising é um dos que mais se desenvolvem no Brasil – com a expectativa de crescimento no faturamento em torno de 14% em 2013, chegando a R$ 117 bilhões (valor superior aos R$ 103 bilhões do ano passado). E é com o objetivo de manter o protagonismo dentro da economia nacional e estimular a troca de ideias entre os franqueadores que a Associação Brasileira de Franchising (ABF) promove a 13ª Convenção ABF do Franchising, realizada entre os dias 30 de outubro e 3 de novembro na Praia do Forte, Bahia.
Admitindo que a alta carga tributária e as dificuldades em torno do pagamento de impostos são entraves para os empresários do setor, a presidente da ABF, Cristina Franco, garantiu que a associação vem acompanhando a elaboração de leis, como o Projeto de Lei 4.319/08, que estipula o prazo mínimo de 12 meses de funcionamento antes que uma empresa possa começar a vender franquias de seu negócio, e investindo na interiorização dos empreendimentos. “Hoje contamos com 110 mil unidades franqueadas e atingimos até mesmo municípios que não são atendidos, através da mídia e do desejo de consumo dessas pessoas”, destacou Cristina.
O vice-presidente da ABF e presidente da CDL Porto Alegre, Gustavo Schifino, lembrou ainda outro positivo de investir em franchising: “Este é um setor totalmente formal, pois o próprio franqueador fiscaliza seu franqueado e não admite que tenha algo errado que possa respingar em toda a rede”. Por isso é tão grande o número de empresários que entram no mercado investindo em marcas consolidadas e de migrantes, que trocam o modelo convencional pelo de franquia. A aposta da ABF para o ano que vem é que o segmento cresça 13%, com um incremento de 9% em pontos de venda e de 8% em novas marcas. O interior dos estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e as regiões Norte e Nordeste são a bola da vez.
Segundo Schifino, a exigência populacional para a instalação de grandes, médias e pequenas franquias caiu pela metade. As lojas de departamentos, por exemplo, que antes se focavam apenas em cidades com aproximadamente 2 milhões de habitantes, passaram a estar presentes naquelas de 1 milhão. Uma prova desse fenômeno é o aumento no número de shopping centers em cidades do interior. “Na hora em que as lojas concordaram, os shoppings foram ao interior. Não podemos esquecer que de 60% a 70% das lojas de um shopping center são de franchising”, enfatizou a presidente da ABF.
Em 3º lugar no mundo em número de marcas de franchising e em 6º em unidades, o Brasil é um mercado em expansão. Atualmente, mais do que apenas atrair os olhares daqueles que buscam trazer marcas ao País, as empresas nacionais despertam o interesse daqueles que querem levar as marcas ao mercado internacional. Graças a esse sucesso, no ano que vem o País será sede do maior evento mundial focado no segmento, o World Franchising Council. Como benefícios, o microfranqueado terá carência de até 59 dias para o pagamento da primeira parcela, prazo de financiamento de até 24 meses, com limite máximo de operação de R$ 15 mil e taxa a partir de 2,80% ao mês. O setor de microfranquias, segundo a ABF, faturou R$ 4,5 bilhões no ano passado e já soma 368 marcas, a maioria no setor de serviços.