Ex-capitão da marinha dos EUA ensina como evitar que equipe pule do barco

UOL Economia – Larissa Coldibeli – 12/11

Ouvir a equipe, valorizá-la e motivar a ascensão dos seus integrantes foram os ingredientes que fizeram o então capitão da marinha americana Mike Abrashoff, 53, transformar o navio de guerra USS Benfold. A embarcação tinha baixos índices de avaliação e acabou vencedora do Spokane Trophy (condecoração da marinha americana) com melhor desempenho da costa do Pacífico.

Quando assumiu o comando do navio, um dos mais modernos da frota, encontrou um índice estranhamente alto de rotatividade de marinheiros. Seu desafio, então, foi evitar que os tripulantes “pulassem do barco”.

Num trabalho para se aproximar da equipe, conseguiu reverter o quadro. Reduziu expressivamente a rotatividade de marinheiros do navio, de 92% para 1%, durante o período do seu comando, de 1997 a 1999. Além disso, a média de promoções da tripulação triplicou em 15 meses.

Para alcançar resultados tão significativos na gestão da equipe, ele desenvolveu o que batizou de mapa da liderança. O método é apresentado no livro “Este barco também é seu”, que retrata a experiência do capitão à frente do navio e vendeu mais de 800 mil cópias no mundo.

Ele relata ter descoberto que a baixa autoestima da equipe era a causa da alta rotatividade de funcionários. Para saber por que os marinheiros saíam da equipe, uma de suas primeiras medidas à frente do navio foi fazer uma pesquisa. O resultado foi surpreendente, ele diz. “Por incrível que pareça, o salário era apenas a quinta razão pela qual eles saíam.”

As quatro principais razões alegadas pelos marinheiros foram a de que não eram tratados com respeito, não eram ouvidos, não eram treinados para assumir outras responsabilidades e não desenvolviam capacidade de liderança. E foi nestas questões que o capitão concentrou suas ações. “Eu apenas dei a oportunidade de a tripulação fazer o seu melhor”, afirma.

Abrashoff, que hoje trabalha como consultor de liderança, foi um dos palestrantes da 14ª Convenção ABF de Franchising, onde contou sua experiência de sucesso que virou livro. Veja abaixo três dicas do ex-capitão para engajar seus colaboradores.

1. Seja empático para melhorar a comunicação

No dia em que assumiu o comando do barco, Abrashoff lembra que os marinheiros estavam festejando a saída do capitão anterior. “Eu achei desrespeitoso e pensei que não queria que aquilo acontecesse comigo”, diz. Para se aproximar da equipe, ele passou a circular pelo barco e a conversar com as pessoas, que, no início, eram resistentes ao contato.

“Eu comecei a ver a operação do navio pelos olhos deles e melhorei a comunicação entre todos”, afirma. Com a empatia, aos poucos, o comportamento foi mudando e até os visitantes do navio passaram a ser recebidos com mais gentileza pela tripulação.

2. Valorize o trabalho de todos

Abrashoff conta que, quando assumiu o comando do navio, convidou seus pais para um almoço e ficou constrangido com a qualidade da comida, que era horrível. Ele descobriu que os responsáveis pela cozinha não sabiam cozinhar e os mandou para um curso de culinária em São Francisco.

Em pouco tempo, o navio ganhou fama de ter comida gourmet. “Agradeci a dedicação dos cozinheiros e eles passaram a ter orgulho do seu trabalho”, afirma.

3. Interesse-se pela carreira dos seus colaboradores

Segundo Abrashoff, o inglês não era a língua nativa da maioria da tripulação do navio e isso atrapalhava seu desempenho quando pleiteavam uma promoção. O capitão passou a oferecer aulas de inglês aos interessados, e a média de promoções da equipe passou de 68% para mais de 200%, segundo ele.

Outra medida adotada foi garantir que todos os oficiais, inclusive os de nível mais baixo, soubessem liderar. “Eles não eram necessariamente de uma posição de comando, mas, se algo acontecesse e o navio fosse convocado, eles iam para a linha de frente, então, precisavam estar preparados”, declara.