Empresário troca de ramo depois de assalto

O Estado de S.Paulo – Cris Olivette – 21/09

Wilson Giustino tentou seguir os passos do pai no ramo de jóias, mas desistiu após violência e obteve sucesso na área educacional

A vontade de ser independente levou Wilson Giustino a começar a trabalhar com 12 anos. “Foi por vontade própria, nem tinha necessidade. Perturbei tanto meu pai para conversar com um conhecido, que acabei conseguindo uma colocação em uma fábrica de sapatos”, conta esse paulistano de 54 anos que cresceu na Zona Leste.

Dois anos depois, era balconista em uma loja de materiais elétricos. “Quando estava com 16 anos, o proprietário abriu uma filial e me colocou como gerente”, recorda.

Giustino conta que toda a família por parte de pai trabalha com jóias. “Aos 20 anos fui trabalhar na loja de meus primos. Mas como meu pai era joalheiro, quis aprender a profissão.”

Depois de aprender um pouco do ofício, montou uma pequena fábrica de jóias. “Toda a produção era vendida nas lojas da família. Assim foi, até que fui assaltado. Me bateram e levaram tudo, até mesmo as jóias que estavam lá para serem consertadas. O prejuízo foi de cerca de R$ 1 milhão.”

Com o trauma, Giustino decidiu mudar de ramo e começou a trabalhar como vendedor de cursos de informática. “Depois de um período, resolvi montar a minha própria escola. A primeira unidade foi em Poços de Caldas (MG). Como deu certo, ampliei para outras cidades. Cheguei a ter 12 unidades.”

Segundo o empresário, até meados de 1990 o negócio foi bem. Depois, o mercado começou a ficar saturado de escolas de informática. “Foi quando, em 1995, criei a marca Cebrac e inovei na questão de cursos. Fui pioneiro em oferecer cursos profissionalizantes informatizados de contabilidade e secretariado. A iniciativa foi um sucesso e provocou uma revolução nos negócios.”

Segundo ele, a primeira unidade montada em Ourinhos (SP) conquistou quase mil alunos em menos de um mês. Como a demanda era grande, os professores do Cebrac se interessaram pelo negócio e Giustino passou a licenciar a marca.

“Em 2002, já estava com 42 unidades licenciadas e resolvi convidar o Jefferson Vendra- metto, um licenciado de Botucatu, para ser meu sócio e cuidar da parte de cursos e eu da área comercial. Foi quando formatamos a franquia.”

Em 2012, o franqueado Rogério Silvano Silva, que também começou como professor da rede e tinha forte atuação na captação de alunos, foi convidado para fazer parte da sociedade. “Hoje, ele é diretor executivo, o Jefferson é diretor de planejamento e eu sou o presidente.” Giustino conta que por sete anos consecutivos a marca obteve o selo de excelência em franchising concedido pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). “Também fomos considerados a melhor franqueadora do segmento durante três anos.”
Atualmente, a marca tem 150 unidades no Brasil, 50 mil alunos matriculados e emprega dez mil pessoas.

Segundo ele, o sucesso se deve à qualidade dos cursos, que usam a informática como ferramenta. “Fazemos um trabalho constante para desenvolver o potencial dos alunos e mantemos um tipo de agência de emprego nas unidades, para encaixá-los no mercado.”
O empresário afirma que o Cebrac fomenta o lado empreendedor do aluno e promove uma competição nacional. “Nas aulas do curso administrativo completo, o aluno cria uma empresa. Os melhores trabalhos são apresentados na feira de empreendedorismo que promovemos em Londrina, onde está a sede da rede.”

Para quem deseja montar um negócio, Giustino recomenda a realização de uma análise do mercado. “Além de pesquisar a área na qual pretende empreender, deve se qualificar para estar muito apto a fazer o que se propõe.”