Aposta no negócio próprio

Correio Braziliense – 17/08 – Redação

O mercado de franquias no Brasil nada contra a maré. Enquanto a economia patina, os negócios no setor prosperam. No ano passado, o número de lojas no país aumentou 11,4 %, atingindo 114,4 mil unidades. Este ano, ai Associação Brasileira de Franchising (ABF) espera resultados ainda melhores. Boa parte deles por causa de mercados em ímpia ascensão, como Brasília. A capital federal ocupa a quinta posição em quantidade de franqueados em todo o país. Apenas em 2013, havia 13.581 lojas desse tipo em todo o Distrito Federal.

O setor de alimentação, primeiro lugar na lista no DF, com 566 unidades de rede mais de um terço do mercado de franquias local -, permanece otimista, mesmo em tempos de economia enfraquecida. De acordo com José Henrique Ramos Ribeiro, 62, sócio-diretor do Fran’s Café, empresa em funcionamento desde 1972 e há 22 anos no franchising, “Brasília é um excelente local para investir”.

Com 10 lojas no DF é previsão de abertura de seis unidades no próximo ano, o empresário se diz otimista com o mercado. “O Brasil passa por um momento preocupante, mas recebemos em média 50 pedidos de novas franquias por mês. Todos os nossos franqueados do DF têm mais de uma loja, e alguns já querem abrir mais, devido ao excelente retorno. No próximo ano, devemos abrir mais unidades em cidades como Taguatinga e Guará”, contou.

A empresária Marina Rezende, 33 anos, abriu a primeira unidade 24h do Fran’s Café em Brasília, no Lago Sul, em 2007. Há 3 meses, inaugurou uma unidade no Noroeste, bairro ainda em expansão, com cerca de 4 mil habitantes. “Ouvia alguns moradores reclamando da falta de estrutura do local, dizendo que precisavam se deslocar até a Asa Norte para fazer tudo, já que não há muito comércio próximo aos novos prédios. Então resolvi arriscar, já que o mercado de alimentação é seguro e confio na divulgação boca a boca”, conta.

Qualificação

Se cliente é o que não falta, o mesmo não se pode dizer da mão de obra capacitada para o trabalho. “Em Brasília, o mais difícil é encontrar funcionários qualificados, além de prestadores de serviço que mantenham o nível exigido pela franquia”, diz. Hoje, Marina emprega 30 funcionários. “Todos eles passam por processos de treinamento rigorosos”, reforça.

Presidente no Brasil da rede norte-americana de restaurantes Quiznos, o empresário Luiz Antonelli, de apenas 27 anos, também reclama da qualificação dos profissionais. “A maior carência do DF é a mão de obra especializada. Por isso, após a expansão, muitas empresas acabam mudando a sede para São Paulo. Além disso, a grande maioria dos fornecedores é de São Paulo, o que acaba tornando esse movimento inevitável”, afirma.

A empresa, que iniciou as atividades em 2011, tem 13 unidades em funcionamento em Brasília. Em todo o país, o número de lojas chega a 50, com cerca de 700 funcionários. O investimento inicial, em média, é de R$ 350 mil. “Apesar dessas dificuldades, estamos em um local central, o que facilita a visita a outros estados, além de ter uma população com alta renda. Mas o mercado brasiliense tem suas peculiaridades, como poucos pedestres. Assim, temos sempre que pensar no local de abertura das lojas, nos adaptando à cidade”, diz Antonelli.

A estrutura da capital, com grande fluxo de carros, atrai investimentos que apostam cada vez mais na praticidade. É o caso da Pão To Go, padaria drive-thru que acaba de abrir uma unidade em Taguatinga. “Nosso foco é estar no caminho do cliente, e o DF é um ótimo local para a nossa proposta. Há previsão de abertura de mais três lojas até o ano que vem, em áreas próximas, mas, a longo prazo, nossa meta é chegar a 15 lojas”, diz Tom Ricetti, 38 anos, dono da empresa. A padaria tem 14 lojas em funcionamento e 126 em negociação em todo o país.