Abrir uma franquia: um ato consciente

Matéria reproduzida pela revista Franquia & Negócios – Edição 79

Por Fernando Tardioli*

Num país combalido pela crise política, que afetou a economia e resultou em milhões de desempregados – e que ainda se encontra às vésperas de uma eleição presidencial sem qualquer previsão de resultado – ouvir da Associação Brasileira de Franchising (ABF) que, no primeiro trimestre do ano, a receita do setor de franquias cresceu 5,1% em relação ao mesmo período de 2017 pode ter animado muitas pessoas a se tornarem franqueados de alguma rede.

Concordo que é algo atrativo: o setor já está consolidado no País e vem se profissionalizando ano a ano. Encontra-se em recuperação gradual, de acordo com a pesquisa trimestral da ABF, e tem representatividade significativa na economia. E vem aí mais uma edição da ABF Franchising Expo, uma das maiores do mundo, sempre com novas marcas e oportunidades. Mas sempre é tempo de fazer um alerta: abrir uma franquia deve ser resultado de muita pesquisa e reflexão.

Primeiramente, acredito que quem deseja abrir uma franquia precisa entender o que, de fato, é ser franqueado. Há muitas vantagens, claro, mas seguir um padrão, por exemplo, pode ser um problema para quem tem dificuldades em obedecer regras ou para quem gosta de fazer as coisas sempre do seu jeito.

Depois, é preciso entender o que de fato deseja fazer profissionalmente. É muito complicado trabalhar sem satisfação pessoal. Não gosta de trabalhar aos finais de semana? Tem muitos negócios, como os do setor de alimentação, em que será impossível fugir a esta realidade. Tudo bem, você pode ter um gerente. Mas com a ajuda deste profissional conseguirá obter, da franquia, o necessário para viver bem?

Dinheiro é sempre um problema. Por isso, antes de abrir uma franquia é importantíssimo avaliar o estudo de viabilidade financeira apresentado pela franqueadora. E esmiuçar os números – vale até pedir ajuda a especialistas. É preciso ter o montante necessário para investir na franquia, para adaptar o ponto comercial em que vai operar e uma quantia a mais para se manter enquanto a franquia não fatura o esperado. É preciso, ainda, esperar alguns anos para ter de volta o capital investido.

Também não adianta reclamar de falta de apoio da franqueadora depois de inaugurar a franquia. Antes de abrir sua unidade, você tem de conversar com franqueados da rede em questão para descobrir como funciona o suporte ao franqueado. Este apoio é fundamental para o sucesso da operação, embora, vale lembrar também que franqueado não é funcionário: ele tem que trabalhar muito!

E mais: a franqueadora tem todos os documentos jurídicos necessários para garantir, efetivamente, direitos e deveres de ambas as partes? Calma! Cansou só de ler o tanto que precisa ser feito antes de decidir pela abertura de uma franquia? Não desanime, siga em frente: estude, pesquise, converse, analise, reflita! Se você começar assim, do jeito certo, estará dando um passo fundamental para ser um franqueado de sucesso, pode acreditar!

*Fernando Tardioli é diretor Jurídico da Associação Brasileira de Franchising (ABF), do World Franchise Council (WFC), da Federação Ibero-Americana de Franquias (FIAF) e sócio do escritório Tardioli Lima Advogados