ABF mantém metas, apesar do freio na economia

Jornal do Commercio (Rio de Janeiro) – Vinicius Marinho – 01/10
 
Encerrada no sábado, a Rio Franchising Business serve de termômetro para o momento do franchising nacional. Milhares de pessoas visitaram o evento em busca de oportunidades para abrir o próprio negócio. Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Camargo, nem mesmo a desaceleração do varejo tende a impactar o setor este ano, que caminha mais uma vez para manter seu crescimento em dois dígitos. Ainda assim, Camargo reconhece o perigo da inflação e dos altos preços dos pontos comerciais, que podem afetar o mercado de franquias da pior maneira possível, já que mina o poder de compra dos consumidores e breca o plano de expansão das redes de franquias.
 
O evento teve forte presença de marcas ligadas a serviços e alimentação. É impressão ou, de fato, esses são os segmentos mais quentes no Rio de Janeiro e no País. 
 
Alimentação sempre foi um setor forte dentro do franchising, com crescimento estável, mas, no ano passado, os nichos de negócio que mais cresceram foram o de turismo e de limpeza. O crescente número de shopping centers tem puxado o segmento de alimentação em 2013. Ele também se desenvolve na esteira do crescimento econômico do País nos últimos anos e da presença cada vez maior da mulher no mercado de trabalho. Com isso, as famílias passaram a consumir mais fora de casa, bem como a terceirizar serviços outrora feitos em casa, como, por exemplo, limpeza, lavanderia, costura, cuidados com idosos e animais, entre outros.
 
Crescimento sustentável talvez tenha sido a expressão mais falada pelas redes durante a feira. Trata-se de uma mudança de estratégia do mercado, que quer um crescimento com mais “qualidade”, ou o insucesso de algumas marcas e de seus franqueados nos planos de expansão pode alterar a chancela de “bom negócio” sempre atribuída às franquias 
 
Franquia é marca e marca é reputação. Nenhum empresário quer ter a sua atrelada a casos de insucesso. O discurso de crescimento sustentado está baseado na realidade do mercado. Há muita oportunidade, porém, nos últimos anos, o custo do ponto comercial aumentou acima da inflação, o que inviabiliza algumas operações. Além disso, a economia brasileira não vai crescer o que estava projetado e isso precisa ser levado em consideração no plano de expansão das redes.

Com a desaceleração das vendas no varejo brasileiro, quem mais perde no setor. Por que?
 
O aumento de renda da população trouxe novos consumidores para os setores de vestuário, beleza, acessórios pessoais e calçados. Muito provavelmente esses serão os primeiros a sentir a desaceleração. 
 
Diante desse cenário, a ABF mantém a estimativa de alta de 14% no faturamento do setor em 2013?
 
Sim, é um número bastante realista. O crescimento foi projetado tendo como base o aumento da oferta de pontos comerciais uma vez que os preços deram uma freada diante da situação econômica -, o que vai permitir um crescimento de 10% em novas unidades neste ano.