ABF assina carta aberta do setor varejista

Carta aberta
Líderes do varejo e do franchising brasileiro durante a leitura da carta

A ABF, ao lado de outras entidades do varejo brasileiro, assinou uma carta aberta divulgada nesta semana durante o Latam Retail Show 2017. O presidente da entidade, Altino Cristofoletti Junior, participou do evento e apoiou a iniciativa.

Leia o texto na íntegra:

Carta Final do 3o Latam Retail Show

O Brasil vive o início de um novo Ciclo Econômico, Político e Social, egresso da maior crise econômica e moral da História recente do país, que criou uma população de mais de 14 milhões de desempregados formais, encerrou negócios, empresas e também fechou mais de 200 mil lojas.

Mas a principal perda foi da autoestima e da confiança no futuro, que sempre foram fatores relevantes em nossa formação cultural.

Para o novo Ciclo que se inicia é consenso entre os líderes representativos do varejo e do comércio, que o foco da Nação deva estar na busca irreversível de maior competitividade no cenário global e, no âmbito local, de um maior equilíbrio social.

A busca desses objetivos deverá acontecer num ambiente redesenhado em sua estrutura pela relevância de temas como a economia digital, o papel crítico do crédito no cenário do consumo, a maior concentração de negócios, o aumento da competitividade em todos os setores, o  empoderamento dos omniconsumidores-cidadãos e a premente necessidade de criação de ecossistemas competitivos envolvendo as cadeias de valor de produtos e serviços.

Mas terá também que ser feita pelo redesenho do papel e das atribuições do Estado que deve concentrar sua atuação nas áreas críticas da Saúde, Educação e Segurança, reconhecidamente carentes.

Temos que reconhecer que não teremos em anos futuros um cenário tão favorável, porque é inevitável e inadiável, para promover as reformas que o país carece.

A combinação da transitoriedade institucional do atual governo, com a dramática crise recente que gerou desemprego e disseminou insatisfação em toda a sociedade, complementados com a real percepção dos descaminhos no trato da coisa pública, devem precipitar o mais abrangente e ousado programa de reformas já vivido pelo Brasil.

É o possível, não é o necessário.

Preocupa e constrange a tibieza com propostas envolvendo as reformas previdenciária, política e tributária. E preocupa muito mais o caminho fácil do aumento de impostos como elemento de compensação.

Não devemos contemporizar com a ideia de que “o ótimo é inimigo do bom”, pois essa condescendência, em particular do setor empresarial, foi desastrosa para o País no passado recente. E não mais pode se repetir.

E isso é um chamamento a outro posicionamento do setor empresarial. Em particular dos setores que diariamente ouvem a manifestação e o pulsar dos empoderados consumidores-cidadãos que deveriam precipitar uma outra atitude, transformando o empresário apenas focado na sua realidade, no empresário-cidadão, mais conectado com o país, a sociedade e o futuro.

A sociedade moderna, competitiva e mais global, pressupõe setores e líderes empresariais com a visão ampliada e dedicados a atuar para além das fronteiras de seus setores econômicos de atividade, ocupando espaços cada vez mais relevantes  na discussão e na ação para a transformação que o país precisa viver.

Essa é a consciência coletiva e a reflexão que nascem do 3o Latam Retail Show, subscritas pelas entidades e os líderes empresariais dos setores de Varejo e Consumo com o compromisso de se posicionarem e, principalmente agirem, de forma integrada, coesa e ambiciosa pela inadiável transformação econômica, social, política e, principalmente, ética, que o Brasil precisa.

São Paulo, 31 de Agosto de 2017.

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