Sucesso nos negócios traz felicidade?

Veículo: Site: Pequenas Empresas Grandes Negócios – Colunista: Claudio Tieghi

O sucesso nem sempre é sinônimo de felicidade. É fato que a expectativa sobre a maioria dos empreendimentos está relacionada ao sucesso financeiro e não há nada errado nisso, mas o desafio é agregar valores aos negócios para que sejamos mais felizes nesses tempos de “curto prazo”, em que o contexto muda a toda hora e nos pressiona a relativizar tudo.

Não é difícil traçar um paralelo entre a economia mundial e a das empresas. Durante muito tempo, os países e continentes foram classificados pela geração de renda ou pelo sucesso de sua economia. Criou-se então a divisão entre o mundo desenvolvido e o subdesenvolvido.

O PIB (Produto Interno Bruto) era o único ou principal indicador global para medir o sucesso dos países. Nesse período, acreditou-se que o sucesso seria sinônimo de faturamento.

Aos poucos, outros indicadores foram sendo acrescentados à formula para medir o sucesso dos negócios e dos países. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), divulgado na semana passada, é um deles. Elaborado pela Organização das Nações Unidas, o índice classifica os países não apenas pela riqueza, mas também por saúde, educação e qualidade de vida da população.

O Brasil, por exemplo, já é considerado a 6ª economia mundial. Mas, apesar de ter melhorado seu desempenho, continua na 85ª posição (índice 0,730, numa escala que vai até 1,0) devido ao avanço de outras nações. A primeira colocação no ranking mundial permanece com a Noruega (0,955), seguida por Austrália (0,938) e Estados Unidos (0,937). Os três piores colocados são Moçambique (0,327), Congo (0,304) e Níger (0,304).

Apesar de crescer num ritmo mais rápido e com mais qualidade do que seus vizinhos, o índice brasileiro ficou abaixo da média da América Latina (0,741) e do resultado individual de outros países do continente, como Chile (40ª), Argentina (45ª) e México (61ª). Possíveis justificativas baseadas em nossas extensões continentais não aliviam em nada a dura realidade.

O que será que nos diferencia dos nossos vizinhos na América Latina? Todos nós, empreendedores, sabemos que o faturamento não diz tudo sobre uma empresa. Nem sempre um grande faturamento representa uma empresa sustentável. A melhora dos índices e a consequente construção de um país melhor exigem esforços conjuntos, incluindo o compromisso dos pequenos empresários.

Para uma empresa ter sucesso, não adianta mudar do tapume para fora. Tem também de mudar por dentro. Cultivar a marca com valores e princípios respeitáveis. O discurso externo deve ser o mesmo para o público interno. Mais ainda, a empresa deve oferecer um bom ambiente de trabalho, motivar e saber valorizar seus talentos. É fundamental obter o engajamento dos funcionários, fazer com que eles sintam satisfação e orgulho de pertencer, e possam se desenvolver como profissionais e cidadãos. Essas atitudes positivas elevam a lucratividade do negócio e consequentemente impulsionam nossos índices.

Todo empresário deve buscar aumentar seu faturamento, é lógico. É muito bom fazer de sua marca um sucesso. Mas isso é consequência de um trabalho bem-feito, com ética e responsabilidade e em sintonia com as demandas reais da sociedade.

Ao analisar a gestão de pessoas, a qualidade no trabalho, o meio ambiente, entre outros valores intangíveis, deixando o faturamento em segundo plano momentaneamente, qual seria a nota da sua empresa? Aprimore os indicadores de sucesso em sua empresa, batalhe para conquistá-los e compartilhe mais felicidade.

(*) Claudio Tieghi, diretor de responsabilidade social do Grupo Multi Holding e presidente da AFRAS – Associação Franquia Sustentável