Mobilidade urbana é desafio para as empresas – Artigo Claudio Tieghi

As pautas levantadas nas ruas das grandes cidades brasileiras têm muita relação com o desenvolvimento sustentável da sociedade que tanto almejamos. Mais do que o aumento de centavos na tarifa do transporte público, o que está em questão é a mobilidade, um direito dos cidadãos.

Estamos vivendo hoje as consequências de políticas públicas equivocadas e da falta de planejamento para o desenvolvimento das cidades. Na década de 1950, a população brasileira urbanizada era da ordem de 36%. Atualmente, chega a 84,2%, e a previsão é alcançarmos 92,3% até 2050. Há, portanto, um grande desafio para que possamos promover o desenvolvimento dos negócios nas cidades buscando o equilíbrio entre os aspectos econômicos, a felicidade das pessoas e a harmonia com o meio ambiente.

As manifestações da sociedade nos lembram de que o Plano Nacional de Logística e Transportes e a Política Nacional de Mudança do Clima contemplam a redução de fretes por rodovias e o investimento em modais de transportes mais eficientes, do ponto de vista energético e ambiental. Além disso, prevê que o transporte ferroviário salte da atual marca de 25% para 32%, e o aquaviário, de 13% para 29% nos próximos 15 ou 20 anos. Se cumprirmos as propostas e as metas anunciadas, reduziremos a pegada ecológica da destruição dos produtos que chegam às cidades todos os dias, além, é claro, de contribuir com a mobilidade das pessoas, sem perder de vista a questão econômica. Tais mudanças necessariamente deverão contribuir para a redução dos custos de tais produtos de forma a beneficiar a todos.

Segundo a pesquisa “Sustentabilidade Aqui e Agora” realizada em 2010, o brasileiro deseja produtos e serviços que tenham a inovação como valor e a visão de um mundo mais sustentável como compromisso. As tarifas dos transportes brasileiros, a exemplo da cidade de São Paulo, estão entre as mais caras do mundo e seguem no sentido contrário dos anseios da sociedade.

A mobilidade urbana tem grande impacto na economia e na qualidade de vida das pessoas. Quando problemática, custa caro ao Estado e à sociedade, em virtude das perdas que proporciona. As pequenas e as médias empresas podem e devem adotar práticas para evitar que seus funcionários apresentem sintomas como estresse e que a empresa perca produtividade. Para minimizar esse tipo de consequência, é cada vez mais frequente empresas adotarem horários flexíveis de entrada e saída, home office ao menos um dia por semana, incentivos para a utilização de transportes alternativos e também o hábito da carona coletiva.

Para os empreendedores, recomendo que encarem a mobilidade urbana, incluindo a logística de produtos e serviços, como um indicador de gestão com as seguintes variáveis: redução de custos, baixa emissão de carbono e felicidade das pessoas. Além disso, recomendo que identifiquem oportunidades de expansão dos negócios em comunidades já economicamente ativas e mais afastadas dos grandes centros. Ouvindo o recado da sociedade, de forma inovadora e comprometida com a sustentabilidade.

 Claudio Tieghi – Presidente da AFRAS – Associação Franquia Sustentável.