Mercado da beleza cresce e diversifica áreas de atuação

DIÁRIO DO NORDESTE – GABRIELA RAMOS – 27/08
 
Já dizia a música “que Narciso acha feio o que não é espelho”. Narcisistas ou apenas mais cuidadosos com a aparência, os brasileiros, incluídos aí os cearenses, estão gastando cada vez mais com higiene e beleza. Para se ter uma ideia, o País já é o terceiro maior consumidor do mundo de produtos do setor.
Nos últimos dez anos, o salto no consumo foi de 124%, passando de R$ 26,5 bilhões gastos, em 2003, para R$ 59,3 bilhões previstos para este ano, conforme o Instituto Data Popular. Enquanto isso, o Ceará deve ser o terceiro maior mercado do Nordeste, segundo o Ibope.

Dentro desse cenário, foram registrados na Junta Comercial do Estado do Ceará (Jucec), em 2012, 2.963 novos negócios do setor, sendo 1.181 para atividades de cabeleireiros e 335 clínicas ou de atividades ligadas à estética e outros cuidados com a beleza. Até o início do mês de julho deste ano, já foram 1.438 empresas registradas, sendo 1.040 apenas de cabeleireiros.

Com um mercado em expansão, além da venda de produtos, cresce a frequência das visitas ao salão de beleza. Desse modo, os olhos dos empresários passam a enxergar além do público feminino oferecendo, também, serviços com foco nos homens. Ao mesmo tempo, é possível perceber a segmentação das atividades, com empresas se tornando especializadas em determinadas áreas.
 
Expansão

Para o presidente da Associação dos Cabeleireiros do Estado do Ceará (Acec-CE), Gurgel do Amaral, durante os seus 50 anos como dono de salão de beleza, foi possível perceber um forte crescimento do setor como um todo. “Quando eu comecei, existiam apenas três linhas de produtos no Brasil. Hoje, você tem mais de 80 marcas de tintura para o cabelo. E uma briga pelo mercado”, afirma Amaral.
 
Capacitação

Como os profissionais normalmente saíram da informalidade para virar empresa, conforme explica, há uma exigência maior de formação qualificada. Para ele, a variedade de cursos oferecidos em diferentes áreas possibilita a constante renovação e permite que o profissional se torne especialista em um assunto específico. “Nos últimos dez anos, também começaram a surgir empresários de beleza, que montam salão de grande porte e contratam profissionais”, afirma. Por outro lado, ele destaca que, para administrar o negócio, é preciso acompanhar e ter noção do trabalho desenvolvido.
 
Idas ao salão
 
Conforme a pesquisa do Data Popular, em um mês, 21% das mulheres da classe média foram mais de duas vezes ao salão de beleza, enquanto o público feminino da classe alta foi de 38%. Mesmo entre as mulheres de classe baixa, 11% estiveram em um salão de beleza a partir de três vezes no mês. A média de freqüência entre as mulheres que foram ao salão é de 2,69 vezes no mês da classe alta, 2,54 classe média e 1,99 classe baixa.

Segundo o levantamento, quase metade do valor (47,4%) previsto para os gastos com beleza e higiene neste ano deve ser da classe média, enquanto a classe alta deve representar 34,2% e a baixa 18,4%. No documento divulgado, o sócio diretor do Instituto, Renato Meirelles, explica que “a forte presença feminina executando funções de atendimento ao público em geral pode ser apontada como uma das razões para a ampliação de salões de beleza por todo o País”.
 
No relatório, ele também ressalta que, embora as mulheres não sejam as únicas responsáveis pelos gastos com produtos e serviços de beleza e cuidados pessoais, elas determinam grande parte do destino do dinheiro nessa categoria.
 
Outro ponto destacado é o aumento de mulheres no mercado de trabalho, que influenciou diretamente no crescimento do consumo de produtos e serviços de beleza. “No período de vinte anos, o número de mulheres com carteira assinada chegou a 157%”, afirma.

Ceará desponta como 3º em gastos no Nordeste
 
Com o terceiro maior mercado no segmento de beleza e cuidados pessoais, os negócios do setor no Brasil tem se mostrado uma possibilidade interessante para os empresários. Em levantamento deste ano, a Euromonitor International empresa de pesquisa estratégica para mercados consumidores apresenta o País atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão em relação ao consumo desse tipo de produto.
 
O cearense segue a tendência quando se fala de gastos com produtos de beleza. Estimativa divulgada pelo Ibope mostra que o Ceará deve ser o terceiro estado do Nordeste com maior consumo, com R$ 1,25 bilhão esperados para este ano o que representa 17% de toda região ficando atrás da Bahia (R$ 2,03 bi) e de Pernambuco (R$ 1,37 bi). Para o conjunto regional, é esperado que o volume alcance os R$ 7,55 bilhões e o consumo per capita seja de R$ 190 por ano. Já no Ceará, o consumo per capita deve ser de R$ 193,54.

Segundo o Ibope, o potencial refere-se apenas ao consumo domiciliar, ou seja, às compras de pessoa física junto a varejistas do ramo e inclui perfumes, colônias, maquiagem, cremes hidratantes e de tratamento, filtro solar, esmalte, desodorante, tinta para o cabelo, dentre outros.

Na pesquisa com internautas da região, foi identificado que 65% usam perfume, 47% utilizam produtos de cuidados com a pele e 36% usam maquiagem, enquanto 22% afirmaram não usar cosméticos. Dentre os locais de compra dos produtos de higiene pessoal, 69% vai em supermercados e 42% em farmácias. Só 15% dos internautas afirmaram que comprar esses produtos em lojas especializadas.
 
Produtos de beleza, cosméticos e perfumes são comprados em supermercados por 48% e em farmácias por 34%, mesmo percentual dos que compram em lojas especializadas. As vendas de porta em porta somam 15%. Os dados foram coletados com 11 mil pessoas entre fevereiro e junho deste ano.
 
Qualidade

O presidente da Associação dos Cabeleireiros do Estado do Ceará (Acec-CE), Gurgel do Amaral, destaca que os salões de beleza conseguem manter o diferencial por conta, também, dos produtos “tops”, vendidos apenas para profissionais. “Algumas linhas não são vendidas no mercado, não têm na gôndola do supermercado, e têm outra qualidade. É o nosso trunfo”, afirma.
 
Por isso, explica, lavar o cabelo no salão, com xampu de melhor qualidade, traz um resultado melhor. Porém, ele alerta que alguns conceitos e produtos do setor acabam sendo “impostos pela mídia”, e que muita gente acaba comprando “gato por lebre”, influenciada pela febre do momento.
 
Consumo per capita no País foi de US$215,5 em 2012. No quesito gastos com a beleza, o Brasil praticamente se equipara às grandes economias mundiais. Conforme a Euromonitor International, o consumo per capita no País, no ano passado, alcançou os US$ 215,5, quase o valor por habitante nos Estados Unidos (US$ 218,9 per capita).
 
O volume total de gastos, em 2012 no Brasil, ultrapassou os US$41,7bilhões-enquantonos Estados Unidos foram US$ 68,7 bilhões e no Japão de US$ 47,2 bilhões. Já em 2007, os gastos foram de US$ 22,3 bilhões no País, US$ 63,3 bilhões nos Estados Unidos e US$ 33,6 bilhões no Japão.
 
Dentre os fatores que explicam as expansão do setor no País, a pesquisa aponta questões macroeconômicas, como o aumento do salário mínimo, os programas de assistência social e o aumento da taxa de emprego que favoreceram com o aumento da renda entre consumidores de “renda média emergente”.
 
Os cuidados com os cabelos, conforme o relatório da Euromonitor, continuaram a liderar as vendas, sobretudo com a entrada de marcas profissionais. Para o futuro, é esperado que o foco em produtos para o público masculino tenha crescimento. Por outro lado, a categoria “banho” deve esperar um dos maiores de clínios em termos de volume, por conta da queda nas vendas de sabonete em barra.
 
Ranking de empresas
 
Durante 2012, a Natura Cosméticos ficou no topo do ranking de vendas do setor no Brasil, conforme o levantamento, seguida pela Unilever Brasil e pela Procter Gamble do Brasil. A receita líquida da Natura, no ano passado, foi de R$ 6,35 bilhões, enquanto o Ebitda foi de R$ 1,51 bilhão e o lucro líquido de R$ 861 milhões, de acordo com informações divulgadas pela empresa.
 
“Podemos dizer que temos o Nordeste como região importante, já que é a maior consumidora da categoria perfumaria no Brasil, representando 42,5% de todo o mercado brasileiro. Na Região, a penetração da categoria é de 79,70% contra 52,50% nas demais”, afirmou a Natura, em nota. O crescimento médio da empresa nos últimos quatro anos, informou, foi de 15,3%. Conforme a empresa, a Natura possui cinco marcas no topo do ranking nacional.
 
Franquias surgem como boas opções de negócios no setor
 
Diante das possibilidades de atuação no mercado de beleza, as franquias começaram a surgir como boas opções de negócio. Em 2012, foram movimentados R$ 17,87 bilhões na categoria esporte, saúde, beleza e lazer, conforme dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
 
Segundo o diretor da Francap empresa de consultoria -, André Friedheim, a escolha por uma franquia na hora de montar um negócio minimiza o risco da operação. “Isso acontece não só com uma franquia na área de estética, saúde e beleza. Em geral, 80% dos negócios independentes fecham em um período de dez anos. Na franquia, esse número cai para 15%”, explica. Ele afirma que o franqueado conta com uma marca conhecida e com um produto ou serviço já testado e aprovado.
 
Outro ponto destacado por Friedheim é a rede de negócios da qual o franqueado pode participar. “Nessa rede de negócios é possível se beneficiar ao já se saber os erros e acertos dos parceiros. Além disso, vai se ratear uma propaganda mais barata”.

Destaque

Dentre as empresas com maior número de franquias no Brasil, se destaca uma do setor de cosmético e perfumaria, O Boticário, com 3.520 lojas, das quais 121 estão no Ceará. Em 2012, foram abertas 11 lojas em território cearense. Já para este ano, a empresa teve mais quatro pontos de ventas abertos e espera mais 15 até o fim do ano.
 
Além da venda de produtos, são comuns as franquias voltadas para serviços especializados. Nesse situação, diz Friedheim, o critério de escolha da marca tem de ser mais rigoroso.
 
“Nesse caso é diferente de comprar o produto acabado para entregar ao cliente. No serviço, é preciso ver os aspectos da vigilância sanitária, além de estar preocupado em relação à capacitação para prestar o serviço”, diz. Ele também recomenda que seja verificado como o franqueador acompanha a prestação do serviço dentro da rede de franqueados.

Diante das possibilidades e interesses de empresários em investir nesse tipo de negócios, Fortaleza tem recebido serviços que vão desde os cuidados com o corpo até os mais específicos, como de design de sobrancelha. A Capital cearense foi, por exemplo, a primeira cidade do País a ter, em 2009, uma franquia do grupo espanhol Não + Pêlo, voltada para fotodepilação.
 
No Estado
 
Conforme a empresa, as franquias são vendidas por bairros e pela densidade populacional. “A praça de Fortaleza foi vendida em apenas 4 meses. Temos, felizmente, muitas pessoas interessadas em abrir uma franquia na Capital cearense, mas, de momento, a expansão da rede nesta cidade especifica não está em desenvolvimento”. Das 341 unidades do País e 56 do Nordeste, 11 estão no Ceará, sendo duas no Interior.
 
No Estado, o volume de negócios é de cerca de R$ 2 milhões por ano. As unidades da Capital atendem uma média de 14 clientes por dia, somando cerca de 4 mil clientes.

Por outro lado, se Fortaleza atrai franquias estrangeiras, daqui também nascem e saem marcas para o resto do Brasil. O grupo Maura lima, especialista em sobrancelha, foi fundada em 2002, mas começou a trabalhar com franquias em julho do ano passado – após dois anos de estudo de mercado.
 
A expectativa da empresa é fechar 2013 com 100 unidades comercializadas e 50 em operação. Em um ano com as franquias, o grupo já tem 75 lojas pelo Brasil, das quais 7 estão no Ceará. No último trimestre de 2012, foram inauguradas 9 lojas e mais 20 no primeiro semestre deste ano no Estado.
 
Preparação é fundamental
 
Meios para abrir um negócio não está nas mãos apenas dos grandes empresários. Não é à toa que inúmeros cabeleireiros, depiladores e manicures, por exemplo, conseguiram montar um empreendimento próprio.
 
Para quem já tem noção do trabalho que irá desenvolver, o mais importante é buscar auxílio para montar um plano de negócios e calcular os custos, segundo o gestor de projetos na área de comércio e serviços do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SebraeCE), Lúcio Gurgel.
 
“Com a conversa com a consultoria especializada na área, a pessoa começa a ter as primeiras orientações para colocar no papel como irá funcionar, as despesas e gastos, estimar todo o trabalho que vai fazer e como vai angariar clientes”, exemplifica

O ideal, afirma Lúcio, é fazer uma pesquisa do ambiente onde se vai montar o negócio, para identificar o público consumidor e ver se está adequado ao bairro onde está instalado. O gestor do Sebrae-CE explica que existem dois tipos de perfis de pessoas que procuram montar negócios na área: o profissional que está empregado em outro salão e vê uma possibilidade, após preparação financeira, e outro que vai, empresarialmente, em busca de dinheiro com o negócio, mas não atua na área.
 
Para os que se enquadram na segunda opção, destaca Lúcio Gurgel, é fundamental fazer cursos para se poder identificar profissionais talentosos e fazer a triagem na hora de uma seleção. “Hoje temos parceiros como o sistema Senac, que faz um excelente trabalho de formação profissional”, destaca
 
Já no caso dos primeiros, o ideal é ter orientação, principalmente, para adquirir noções de administração financeira. Além destes dois perfis, ele afirma que existe uma gama cada vez maior de fornecedores de produtos cearenses, que vem aproveitando a expansão do setor no Estado.
 
Possibilidades

Proprietária de um salão de beleza há 12 anos, Marcüia Kelly Garcez, 41, está dentro do perfil daqueles que encontram a profissão antes mesmo de pensar em abrir um negócio. Ela começou como manicure aos 15 anos de idade, ainda quando morava em um distrito do município de Redenção e, com o passar dos anos, ampliou os serviços oferecidos.

Casada e morando em Fortaleza, no bairro São Gerardo, ela passou a trabalhar indo na casa das clientes. Com a vinda dos filhos, Marcília decidiu oferecer os serviços em casa. “Coloquei uma cadeira e um espelho na sala e comecei a trabalhar. Para lavar o cabelo, a cliente tinha que ir para o quintal. Acredito que muita gente comece dessa forma, mas acredito que você tem que estudar e continuar se reciclando para dar certo”, diz.

Nos primeiros seis meses com o salão improvisado, Marcília comprou um lavatório. Desde então, as expansões foram constantes e vieram junto com a formalização como microempresa. Foram mais de quatro reformas até toda casa abrigar apenas o negócio.

“Saí e fui morar na mesma rua. Troquei o piso, fiz um novo banheiro. Minha salinha de jantar virou a sala de banho de lua e o quarto do meu filho a de depilação”, relembra.

Cliente procura mais especialização
 
Há alguns anos parecia inconcebível imaginar que uma empresa pudesse sobreviver focada apenas em design de sobrancelhas ou mesmo no trabalho com unhas, maquiagem ou somente depilação. Isso porque, quem queria algum desses serviços normalmente encontrava tudo em um mesmo salão.
 
Porém hoje são muitos os clientes que valorizam o serviço especializado, seja por não ter paciência de conviver com o barulho dos secadores de cabelo e com a fumaça do laquê ou por considerar que o foco traz um resultado diferenciado.
 
Formada em publicidade, Kelly Pires teve uma espécie de “insight” enquanto estava em Nova Iorque, onde percebeu que poderia investir no próprio hobby para montar um negócio. “Maquiagem sempre foi um hobby e as minhas amigas me tinham como referência. Chamei uma amiga para ser sócia, a Carolina Figueiredo, e ela fica com aparte administrativa”, declara.

Há quatro anos, as duas comandam o Studio Make You Up, com foco em maquiagem e penteados, apesar de também oferecer outros serviços. O início veio depois de muitos cursos fora do País e o domínio do hobby até virar trabalho e fonte de renda.

“O diferencial é a qualidade do produto e todas as funcionárias são minhas extensões. Não existe individualismo, porque nosso trabalho é coletivo, diferente do salão. A idéia é como se eu fosse maestra das meninas”, afirma Kelly.

Para complementar os serviços, ela afirma que são oferecidos cursos de automaquiagem, além da venda de produtos. “A maior dificuldade foi entender como o mercado de maquiagem e de serviço funcionam, mas o cliente entendeu rápido o que queríamos oferecer”, destaca.

Da paixão ao negócio
 
Assim como Kelly, a analista de sistemas Danielle Lima decidiu transformar a paixão por esmaltes em empresa. Há cerca de seis meses, ela e o marido Cristiano Oliveira abriram a Nails Express Esmalteria, com foco no trabalho nas unhas.

“Na verdade, eu tinha visto, em Porto Alegre, algo similar, um local só para fazer unha, e achei muito interessante. Na época, não tive a iniciativa”, afirma. Anos depois, nos Estados Unidos, ela encontrou o serviço de unhas express, o que impulsionou a idéia de criar um negócio no mesmo estilo.

O serviço no modelo americano é feito entre 15 e 20 minutos: sem tirar cutículas, com um produto que trata e reduz o excesso delas com o tempo. “Utilizamos um gel importado para retirar a parte ressecada e um empurrador de cutícula. Também passamos um óleo para hidratar e um gel que ajuda a reduzir. A medida que se usa, fica muito bonita, mas é preciso muita paciência”, detalha Danielle.

Ela reforça que o método é o mais indicado para a saúde por evitar cortes, inflamações e entrada de bactérias, e pode ser utilizado por diabéticos e pessoas com câncer, por exemplo. Porém, Danielle destaca que a empresa tem focado mais em outros serviços especializados nas unhas, já que ainda não há uma recepção tão grande aos métodos diferentes dos tipicamente utilizados no Brasil.
 
Nesses seis meses de empresa, afirma, já deu para aprender muita coisa sobre o mercado e sobre os clientes. “Começamos com uma loja no Centro, mas nos mudamos para a (Avenida)
 
Boca a boca e segredo para o sucesso
 
Os grandes consultores de marketing aconselham: a divulgação boca a boca tem muito poder. Consciente disso ao ver o próprio negócio crescer, e as clientes não caberem no espaço que dispunha, Deuzarina de Sousa Soares, 53, passou de depiladora na garagem de casa para dona de duas unidades de um centro de estética na Capital cearense que levam o seu nome.
 
O início foi meio por acaso. Antes, trabalhou como empregada doméstica na Bahia e, de volta a Fortaleza, aos 21 anos de idade, conseguiu uma indicação para trabalhar com uma depiladora, com quem passou um ano até partir para outro emprego na área. “Costumo dizer que com uma aprendi a arte e com a outra como fazer”, comenta.
 
Com o casamento e a vida em um quitinete, a solução foi receber as clientes em um dos pequenos cômodos da casa. “Eu tinha uma boa clientela. Teve um momento que não cabia mais, isso dentro de um ano de trabalho. Então, loquei uma casa, na Aldeota, no começo da década de 1980”, relembra.
 
Expansão

E a divulgação boca a boca seguiu forte, levando a mais expansões nos anos seguintes, até se instalar na Rua Canuto de Aguiar. “Eu costumava dizer, brincando, que só quem fechavaa (Rua) Canuto de Aguiar era eu e o Fortal”, comenta. Diante da dificuldade para as clientes estacionarem, a opção foi mais uma transferência de endereço.
 
“Não foi um crescimento rápido. Foi tudo muito lento. O salto maior foi quando saí da (Rua) Canuto de Aguiar para a (Rua) Tibúrcio Cavalcante, por volta de 1998. Lá, ficamos realmente conhecidos”, diz.
 
Nesse processo em que ganhou nome de destaque na área, o início com trabalhos voltados pra cabelos surgiu com a insistência de um profissional para trabalhar no espaço de Deuzarina. “Ele veio de São Paulo e as clientes falaram muito de mim. O salão era pequeno, mas ele insistiu tanto que ficou”, conta.
 
Para selecionar novos profissionais que cuidassem de outros serviços, a experiência foi sendo adquirida com o tempo. “Eu estava mais carimbada, tinha feito curso e sabia selecionar durante a entrevista”, diz.
 
Porém, se engana quem acha que não foi preciso atenção com o negócio. Durante essas mudanças, ela teve o cuidado de observar em quais sedes conquistava e perdia mais clientes. Também foi um processo de busca por qualificação, além da formação de dois filhos na área de beleza. “Primeiro veio a Lívia, que investiu em terapia capilar. No começo, ela não queria, mas a ficha caiu. Ela começou a viajar, passou um tempo em uma escola em São Paulo e, agora, está dominando o trabalho”. Além dela, o filho Igor trabalha como auxiliar de cabeleireiro no salão.
 
Direcionamento

Hoje, o foco dos trabalhos de Deuzarina, dentro da empresa, é o design de sobrancelhas e micropigmentação, além da depilação. Para isso, foram cursos que a memória não recorda nem a quantidade, de tantos, conforme ela explica.
 
“Muita gente investe em salão achando que vai ficar rico. Você se mantém e faz tudo para isso, mas não conheço ninguém que enricou”, pondera Deuzarina, com os pés firmes no chão de quem administra um negócio na área há mais de 30 anos.
 
Público masculino ainda é nicho pouco explorado
 
Nem só de mulheres se sustenta o mercado de beleza. Seja para atender os mais vaidosos ou apenas para disponibilizar um espaço atrativo para o público masculino. Quem investe no setor está de olho neles. Os empresários mais atentos têm disponibilizado ambientes que vão além das tradicionais barbearias.
 
Com foco nesse nicho de mercado, os sócios ítalo Veloso e Rennan Perdigão decidiram abrir a Fígaro Barbearia Social Club em 2010. A partir de uma parceria com o salão Mulher Cheirosa, os dois obtiveram informações importantes para elaborar o plano de negócios e adaptar os serviços a quem, de modo geral, não é tão afeito a alguns cuidados.

Com um público que varia entre os 19 e 43 anos de idade, os serviços mais procurados ainda são corte, barba e manicure. Porém, os sócios afirmam que depilação, podologia e massagens estão, aos poucos, sendo melhor recebidas.
 
“O que mais ouvimos de comentários é sobre a liberdade e a privacidade em estar em um ambiente exclusivo, diferenciado desde o atendimento a infraestrutura a eles destinada”, afirma Rennan. Se há quem ache que homem não gosta de salão, os números da empresa provam o contrário. A barbearia recebe, em média, 950 clientes por mês, sobretudo das classes A e B, conforme os sócios.
 
Assim como eles, o cabeleireiro Mário Sérgio Lima aproveitou a experiência como dono de salão de beleza para também apostar no serviço especializado. ‘Tenho uma loja que já atende ao público feminino e ao masculino, no Lago Jacarey, há sete anos. Só o Studio Sérgio Barbearia tem seis meses e fica ao lado do outro salão. Além de corte de cabelo, oferecemos depilação, pedicure e manicure”, diz.
 
Segundo ele, de modo geral, os homens não se sentem muito à vontade em um espaço dominado pelas mulheres. “Na loja do lado, é de outro jeito, com muita conversa, barulho. Na barbearia é mais tranquilo e silencioso. Também podemos assinar revistas mais específicas, como de carro e masculinas, que seria constrangedor no outro salão”. Além disso, ele afirma que o próximo passo é projetar uma sala de espera com cerveja e jogos.

Além dos conhecimentos adquiridos em 14 anos como cabeleireiro, Sérgio diz que pesquisou bastante. Foram desde visitas ao Sebrae-CE a viagens a São Paulo e inúmeras pesquisas na internet.
 
Desempenho

“Visitei outras barbearias para ver se eu ia conseguir encaixar a minha idéia. Como eu já tenho certo público no bairro e já entendia a clientela masculina, sabia que, para o serviço de corte de cabelo, não teria problema nenhum”, destaca. Sérgio ressalta que o crescimento está ocorrendo, por ter sido um negócio planejado, mas que ainda é preciso trabalhar muito mais.
 
Além dele, a barbearia conta com mais dois sócios: a esposa e o irmão dele, que ajudam na administração do negócio. Segundo ele, nesses seis meses de empresa já está sendo possível “zerar as contas”.