Artigo Claudio Tieghi: Como o empreendedor pode valorizar a agricultura familiar

2014 não é apenas o ano da Copa do Mundo e das eleições no Brasil. Também foi escolhido pela ONU (Organizações das Nações Unidas) para ser o Ano Internacional da Agricultura Familiar (Aiaf). Por isso, gostaria de compartilhar com vocês um pouco sobre esse assunto de extrema importância para a sociedade e também para os pequenos e médios empresários.
 
O crescimento populacional associado ao desenvolvimento das economias globais até 2050 exigirá de nossos sistemas de produção de alimentos um crescimento da ordem de 70%. Para suprirmos essa grande demanda, é natural que muitos apostem no emprego de sofisticadas tecnologias agrícolas para abastecer celeiros em larga escala.
 
No entanto, o uso excessivo de recursos naturais, a exaustão dos solos e o emprego de fertilizantes de origem fóssil compõem um cenário de difícil equação – sem contar a pegada ecológica dos produtos do campo, que são transportados para os centros urbanos em caminhões movidos a óleo diesel. É preciso diversificar e descentralizar.
 
Com o Aiaf, o objetivo da ONU é aumentar a visibilidade da agricultura familiar e dos pequenos agricultores. A organização quer mostrar para o mundo que é possível melhorar os meios de subsistência, a gestão dos recursos naturais e a proteção do meio ambiente para ter um desenvolvimento sustentável, particularmente nas áreas rurais.
 
Nesse sentido, toda a sociedade, do campo aos grandes centros urbanos, pode colaborar. Produzir e consumir alimentos saudáveis e acessíveis, diminuir ao máximo o desperdício e combater a fome são elementos centrais da transição para uma sociedade mais sustentável.
 
A orquestração de esforços para valorizar a agricultura familiar deve também contar com uma série de iniciativas que possam, entre outros resultados, reduzir o vergonhoso volume de perdas e desperdício de alimentos, que chega a 1,3 bilhão de toneladas por ano em todo o mundo.
 
A redução das perdas nas etapas de plantio, armazenagem, processamento e distribuição de alimentos deve ser um compromisso de produtores e distribuidores para garantir uma entrega economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente correta.
 
Quanto à distribuição, as grandes redes de varejo, incluindo o setor de franquias, encontram inúmeras oportunidades para diversificar a origem de produtos. Basta fomentar a produção descentralizada, incluindo a agricultura familiar, de forma a ativar a economia das comunidades, valorizar a cultura regional expressa pelos hábitos alimentares e melhorar a qualidade de vida e o bem-estar de todos.
 
Os consumidores se interessam mais por adotar critérios de compra baseados não somente no preço, mas também na qualidade e no valor nutricional dos produtos, em sua origem e no impacto socioambiental causado pelo processo de produção e distribuição. Mas ainda há o desafio de promover hábitos alimentares diversificados, que combatam o desperdício, a desigualdade, a obesidade e a desnutrição.
 
A agricultura familiar representa uma oportunidade para impulsionar as economias locais, especialmente quando combinada com políticas para promover a proteção social e o bem-estar das comunidades. Pode parecer complexo, mas é simplificando que poderemos garantir o suficiente para todos, em todos os lugares – e para sempre.

Artigo retirado do site PEGN