Governança corporativa para pequenas e médias empresas

Matéria reproduzida da revista Franquia Negócios – Edição 68

 

Por Fernando Tardioli*

Em tempos de graves escândalos corporativos e de corrupção, vazamento de dados, cyberataques, endividamento empresarial e uma enxurrada de pedidos de recuperação judicial, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de implantação e melhoria dos processos e mecanismos de governança corporativa.

Para aqueles que ainda não tiverem oportunidade de se aprofundar sobre o assunto, vale lembrar que o recurso nada mais é do que o uso de ferramentas de boa administração, com vistas a assegurar a perenidade das empresas e o retorno aos acionistas. Assim, quando uma companhia, mesmo não obrigada por lei, investe na criação de um conselho de administração e/ou em comitês de auditoria ou fiscais, a intenção é se manter fiel aos seus princípios e valores. É justamente ao conselho de administração que cabe a definição desses conceitos, monitorá-los, apurar eventuais desvios e realizar as respectivas correções de rota, sob pena de sofrer danos reputacionais, muitas vezes irreparáveis. E isso não só é possível, mas necessário para toda e qualquer empresa, independentemente de seu porte.
Para que uma pequena ou média empresa inicie seu processo de implantação de governança corporativa, é preciso que ela mapeie seus riscos e conheça a sua real situação.

O processo de inserção de mecanismos estruturados nas instituições deve se dar de forma organizada e, portanto, lenta e gradual, pois exigirá aculturamento de seus colaboradores e total transparência por parte de seus acionistas e dirigentes.

Não é preciso apostar em todas essas ferramentas de governança ao mesmo tempo. Com a orientação correta, as empresas conseguem criar, aos poucos, elementos que sanem suas necessidades e se mantenham como apoio diário das decisões, sempre buscando a perenidade de suas atividades.

Os benefícios são imensos. Em primeiro lugar, seguindo as regras que foram criadas pela própria empresa, ela é capaz de ser mais transparente e perceber seus pontos fracos, tendo a oportunidade de saná-los. Depois, porque essa obrigação de cumprir com o que é correto pode envolver, por exemplo, o pagamento de tributos e demais obrigações — ainda que renegociados e parcelados. Vale lembrar que uma empresa que tem os seus balanços auditados se diferencia daquelas que não o fazem.

Ninguém duvida que uma empresa com demonstrações financeiras consistentes e confiáveis transmite maior segurança e confiança ao candidato em adquirir uma franquia também.
Finalmente, empresas que adotam boas práticas de governança corporativa têm maior possibilidade de atrair investimentos públicos e privados, bem como são capazes de controlar riscos, porque conseguem prevê-los de forma mais eficaz. Assim, se você ainda acha que a profissionalização é útil somente para grandes companhias, é melhor ficar atento, porque seu concorrente pode pensar diferente e sair na frente.

* Fernando Tardioli é diretor jurídico da Associação Brasileira de Franchising (ABF), do World Franchise Council (WFC), da Federación Iberoamericana de Franquicias (FIAF) e sócio do escritório Tardioli Lima & Novoa Prado Advogados